Acreditar que o lugar da mulher é o espaço privado e do homem, o espaço público é um de nossos grandes problemas culturais, segundo Roberta Rios

Government Affairs & Public Policy Manager do Google, Roberta Rios possui mais de uma década de experiência na área de relações institucionais e governamentais. Membro do Comitê Abrig Mulher e do coletivo Dicas – Mulheres em RIG, participou da 1ª Conferência Internacional de Mulheres em RIG organizado por ambos os grupos. Em entrevista, Roberta falou sobre ações coletivas no setor, perspectivas para possível equidade de gênero na atividade e de quais formas os homens podem contribuir para que as oportunidades no mercado sejam mais igualitárias para ambos os gêneros. Leia a seguir.


ABRIG: O que podemos mudar nas ações coletivas de RIG?


ROBERTA RIOS: Pensando a partir da perspectiva da mulher, eu acredito que o período da pandemia, por um lado, fez com que tivéssemos maior engajamento e conexão com outras mulheres que passavam por situações semelhantes às que nós estávamos vivendo. A partir daí, começamos a pensar de forma mais coletiva e começamos a criar grupos e movimentos e a realizar ações conjuntas. A 1ª Conferência Internacional de Mulheres em RIG foi a realização de um evento que vinha sendo sonhado há muito tempo. O número de mulheres no mercado de relações institucionais e governamentais (RIG) está crescendo cada vez mais e, com isso, temos alcançado posições cada vez maiores.


ABRIG: Quais são perspectivas para que a cheguemos à equidade de gênero na atividade de RIG? É possível?


ROBERTA RIOS: Eu acho que é possível, mas não é uma conquista do dia para a noite. Acredito que esse é um processo que nós já começamos, e ver mulheres ocupando esses espaços na atividade de RIG é um sinal disso. Quando a gente une o Comitê Abrig Mulher e os coletivos femininos, nós conseguimos incentivar umas às outras no mercado, como a aplicar para uma vaga e a indicar outras mulheres para novas oportunidades. A autonomia de contratação é das empresas, mas se nós podemos incentivar que mais mulheres participem desses processos, isso faz com que, consequentemente, elas passem a ocupar esses lugares em algum momento.


ABRIG: Como os homens podem contribuir para que as mulheres tenham acessos e oportunidades mais igualitárias no mercado de trabalho?


ROBERTA RIOS: Um dos nossos maiores problemas culturais que ainda existem na sociedade - e não apenas no Brasil, mas em diversos países -, é acreditar que o lugar da mulher é o espaço privado e do homem, o espaço público. Apesar de muitas mulheres trabalharem como donas de casa e cuidarem das crianças, essas funções ainda não são vistas como um trabalho porque não é remunerado. À medida que nós conseguimos diminuir essas diferenças e falar que a casa e o cuidado dos filhos são responsabilidades de todos e não exclusivamente femininas, os homens passam a se conscientizar e a fazer parte desse processo com a gente. São pequenas atitudes que começam a fazer uma mudança gradual e progressiva. Nós também precisamos de grandes atitudes, mas se cada um fizer o seu papel, a realidade já começa a ser mudada.



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