“As relações precisam ser convergentes com os interesses nacionais”, diz Evandro Gussi

Conselheiro da Abrig e presidente da Unica, Evandro Gussi defende a regulamentação das relações institucionais em benefício ao país


Atual presidente da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), uma das mais relevantes organizações do país, e ex-deputado federal, o executivo Evandro Gussi é testemunha dos benefícios das relações institucionais para a sociedade e para o ambiente de negócios. 


Em entrevista à Revista da Abrig, Gussi aponta que a regulamentação da atividade é um passo fundamental para fortalecer o setor e auxiliar no desenvolvimento de políticas públicas. Para ele, as relações entre iniciativa privada e governo precisam estar alinhadas com os anseios da sociedade. 


“A sociedade, cada vez mais exigente, vai precisar de relações institucionais focadas em dois pontos principais: primeiro na oferta qualificada, transparente e íntegra de informações e, em segundo lugar, na busca de interesses setoriais convergentes com os interesses nacionais”, afirma. 


Confira os principais trechos da entrevista:


1) Qual a importância de se regulamentar a atividade de relações governamentais?

A experiência que eu tive, inclusive como parlamentar, é que é impossível você conhecer todos os temas, é impossível dominar todos os assuntos. Então é sempre muito saudável para a autoridade, para um tomador de decisão, que ele tenha o maior nível de informações e as mais qualificadas informações possíveis. 

Se de um lado, setores e empresas são impactados por decisões políticas, de outro lado podem e devem contribuir para que as políticas públicas sejam as melhores possíveis. Regulamentar essa atividade serve justamente para que tiremos o melhor e evitemos o pior entre a iniciativa privada e o setor público.


2) Vemos que essa atividade ainda sofre preconceitos, sobretudo frente à opinião pública. Como é possível desmistificar isso?
O que temos percebido cada vez mais, por parte das empresas, é um cuidado muito grande na construção de políticas de conformidade, de compliance, para que toda essa relação transcorra com a maior lisura e organização possível. E percebi que isso tem cada vez mais sido captado pela sociedade.

Cada vez mais exigente, a sociedade vai precisar de relações institucionais focadas na oferta qualificada e transparente de informações, e também na busca de interesses setoriais convergentes com os interesses nacionais, o interesse público.


3) Como a regulamentação da atividade pode contribuir nesse cenário?
É justamente nesse ambiente que um processo de regulação institucional mais adequado pode contribuir ainda mais. É um setor essencial nesse sentido.  E tem sido cada vez mais comum que as autoridades procurem os setores, para ter informação, noção de impactos, cálculos financeiros e econômicos para o desenvolvimento de políticas públicas.


4) E como a Unica tem acompanhado essa discussão?
A Unica tem uma política de conformidade robusta, muito bem desenhada e entendemos que a regulamentação da atividade contribui e cria mais uma camada de proteção: seja para as instituições públicas, instituições políticas, seja para a própria indústria das relações institucionais, que fica mais tranquila de saber o que pode e o que não pode.


5) Como tem sido o papel da Abrig nas discussões sobre a regulamentação da atividade?
A Abrig tem um papel fundamental, pois traz hoje à discussão empresas, instituições e profissionais de altíssimo nível no Brasil, muitos deles reconhecidos inclusive internacionalmente.


É um debate extremamente qualificado e é muito importante que uma instituição desse nível contribua para que criemos um ambiente institucional para o processo de Advocacy que seja positivo para o setor empreendedor e, também, ao país.


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