Desdobramentos da COP26, IPEMAI apresenta medidas para a melhoria da sustentabilidade no Brasil

O foco principal são ações voltadas para a recuperação de áreas de florestas.


Nas últimas semanas os olhos do mundo estavam voltados para a COP 26, a conferência climática das Nações Unidas, onde são discutidas ações para diminuir as emissões de gases de efeito estufa e os impactos ligados às mudanças climáticas que atinge todo o planeta. A conferência, que encerrou na semana passada, teve avanços em relação ao tema do uso dos combustíveis fósseis, mas não atende às reivindicações dos países pobres por justiça climática e não garante o objetivo de limitar o aquecimento global a 2°C.


Diante da crise climática, o resultado das negociações da COP 26 são considerados insuficientes para que um grande avanço em direção as mudanças, que são realmente necessárias, sejam alcançados. A recusa das nações mais ricas em criarem um fundo para ajudar países em desenvolvimento e mais vulneráveis aos desastres causados pelo clima se reconstruírem foi um ponto negativo da conferência. Além disso, a meta para limitar o aumento da temperatura nas próximas décadas também não atende a urgência das mudanças climáticas.


Um grande avanço alcançado foi a aprovação das diretrizes do mercado de créditos de carbono, esse mercado é uma alternativa para ajudar países e empresas a diminuírem a emissão de gases de efeito estufa. Para que isso se concretize, é necessário que os governos, com a ajuda e maior participação da iniciativa privada e do mercado de capitais e fundos de investimentos, criem uma modalidade recorrente para o financiamento de projetos de sustentabilidade. Em entrevista a Abrig, Luiz Eugênio Cardoso, presidente do IPEMAI, apresenta um balaço da COP 26 e explica quais são os projetos para a melhoria da sustentabilidade no Brasil, além de algumas mudanças que precisam ser tomadas por alguns setores, como por exemplo, o agronegócio.


Considerando a urgência da crise climática e as negociações, como você avalia os resultados da COP 26, encerrada na semana passada?


Os avanços foram poucos ante as expectativas de todos com esta conferência, pois, principalmente, os 3 maiores poluidores mundiais – China, Índia e Estados Unidos – não permitiram que os avanços acontecessem. Mas, em minha visão, um grande avanço foi alcançado com a aprovação das diretrizes do mercado de créditos de carbono, para que este seja regulamentado pelos governos e, assim, possamos, com a ajuda e maior participação da iniciativa privada e do mercado de capitais e fundos de investimentos, criar uma modalidade recorrente para o financiamento de projetos de sustentabilidade. Desta forma, será possível buscarmos a tão sonhada economia verde e um modelo de crescimento mais inclusivo e socialmente justo, sem precisarmos destruir nossas fontes de recursos naturais.


Como a Inovação Tecnológica e o Meio Ambiente podem ser o diferencial da sustentabilidade?


Com a maior participação e implementação do modelo ESG nas empresas, temos a oportunidade de trazermos a inovação tecnológica para ajudar a melhorar a Gestão, como também as ações de proteção e melhoramentos em áreas rurais, florestas, parques e zonas de proteção. Assim, buscando um desenvolvimento baseado na convergência de ações, estudos e resultados, com o foco principal na preservação do meio ambiente, mas também no desenvolvimento humano, pois sabemos que um não exclui o outro, para que os resultados sejam alcançados.


Quais os projetos que o IPEMAI está desenvolvendo para a melhoria da sustentabilidade no Brasil?


Nosso foco principal é com projetos e ações voltadas para a recuperação de áreas de florestas, mas sem prejudicar as pessoas que tiram seu sustento da terra. Acreditamos e já temos um projeto de Agrofloresta em andamento, pois além da recuperação de áreas antes degradadas, mantemos as pessoas no campo e com suas áreas produzindo e gerando renda, principalmente por ser um projeto de longo prazo.


Também, temos um projeto de educação ambiental, onde em parceria com as secretarias de Educação e Meio Ambiente, fazemos a recuperação de áreas degradadas perto de escolas públicas, com o acréscimo da Inovação, pois todas as mudas plantadas tem um TAG identificador. Assim, é possível que as crianças possam anotar, através de um App, as informações sobre a árvore, espécie, quem plantou, mais um georreferenciamento para o acompanhamento do crescimento e locais onde foram plantadas cada muda. Ou seja, trabalhamos sempre o meio ambiente e a inovação como geradores de melhorias e de sustentabilidade.


O desmatamento e alguns setores do agronegócio como grandes emissores de carbono, tem várias oportunidades de contribuir para a redução da emissão de gases de efeito estufa, qual a sua avaliação sobre esta questão?


O desmatamento nas regiões fronteiriças à floresta amazônica para especialmente a criação de gado e plantação de soja, faz com que o Brasil seja visto como um grande emissor de gases do efeito estufa, mas, com novas tecnologias e agora com a regulamentação do mercado de créditos de carbono, acredito que possamos começar a mudar esta realidade. O maior problema antes enfrentado nestas regiões era a necessidade das pessoas pela geração de renda, onde a derrubada de árvores e a criação de gado são os mais comuns meios utilizados.


Com a regulamentação do mercado de créditos de carbono, temos, agora, a oportunidade de oferecer as pessoas, outros modelos de geração de renda, mas agora sem a necessidade do desmatamento de áreas de florestas nativas, podemos agora mostrar que manter a floresta ativa e preservada renderá em alguns casos, até mais dinheiro do que se ele derrubar. Há, também, a implantação do nosso projeto de Agrofloresta, já citado acima, com o uso de novas tecnologias para o gerenciamento e preservação, ou seja, agora podemos realmente unir tecnologia, inovação e preservação, em um novo modelo de desenvolvimento sustentável para o Brasil e várias regiões do mundo.


Como o IPEMAI avalia as potencialidades da Sustentabilidade na melhoria do desenvolvimento econômico e social das pessoas?


Já nasceu o grande paradigma para o desenvolvimento econômico do século: a sustentabilidade é integrante orgânico do processo de crescimento econômico e da diminuição das desigualdades. Isto está acima das velhas doutrinas, seja de que lado elas estavam.


Assim como o social evolui das benemerências de primeiras damas, para políticas públicas constitucionais, o meio ambiente deixou de ser ações de preservacionistas excêntricos, para referências obrigatórias a empresa, governos, legisladores e… excêntricos.


** Os artigos/entrevistas publicados são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões neles emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista da Abrig.