É preciso acelerar a agenda de reformas e de mudanças regulatórias no Brasil, diz Leandro Mode

A agenda de reformas e mudanças regulatórias precisa avançar e são fundamentais para enfrentar os desafios do país após a pandemia, avalia o membro do Conselho Superior da Abrig, Leandro Mode, que classifica o profissional de RIG como peça-chave nesse sentido.


Dentro desta agenda, Mode destaca a reforma tributária, em discussão no Congresso Nacional. Segundo ele, quanto mais sensível for o tema para a sociedade, maior é a importância do trabalho de relações governamentais. “O profissional de RIG acaba tendo um papel fundamental para discutir e levar essa argumentação para o poder público”, afirma.


Com experiência em Advocacy em todos os níveis de governo - federal, estadual e municipal -, Mode assumiu a área de relações governamentais do Itaú Unibanco, além de ter trabalhado como jornalista nos principais veículos de imprensa do país. Confira a seguir os principais trechos da entrevista:


1) Qual a importância da Abrig para o setor e quais os reflexos nas discussões de políticas públicas em geral?

A atividade de RIG é fundamental em uma democracia, porque ela permite que diversos setores da sociedade possam interagir com o poder público de uma maneira ética, mas na defesa legítima dos interesses. A sociedade organizada no regime democrático precisa interagir com o poder público, e os profissionais indicados para fazer essa interação de maneira ética profissional e responsável são os profissionais de RIG.


2) De que forma é possível desmistificar ainda mais essa atividade frente aos tomadores de decisão, a imprensa, o empresariado, a sociedade em geral?

Tem uma frase que diz que “a melhor forma de você curar alguma coisa é expô-la ao sol”. O uso da palavra lobby, por exemplo, acabou ficando distorcido e com uma conotação pejorativa no Brasil. A gente fala RIG, mas na sua essência o lobby também é uma atividade de relações institucionais e governamentais.


A melhor forma de desmistificar essa atividade é com transparência. Então, faz todo sentido você interagir com o setor público quando é apresentada uma proposta que tem um impacto sobre a área que você trabalha e que esse impacto acabará sendo ruim para a sociedade.


3) Quais reformas atuais se encaixam nesse cenário, de grande impacto para sociedade?

A gente está discutindo agora uma reforma tributária. Várias estimativas apontam que a tributação de várias empresas e segmentos da sociedade irão aumentar. Isso é bom ou ruim para o país? Me parece que é algo ruim para o país, porque você aumenta tributo e o tributo quem paga somos nós consumidores. Não é a empresa, que repassa isso para o custo dela. Por isso, cabe aos profissionais de RIG mostrarem essa interlocução com o poder público, dizer: “Se essa proposta for aprovada como ela está aqui ela vai representar custos mais elevados para a sociedade brasileira como um todo”. RIG não tem mistério, é apenas uma troca de ideias e visões diferentes sobre determinada proposta legislativa.


4) Em meio a esse cenário, qual a importância da regulamentação da atividade no país?

A regulamentação é justamente o que ajuda a trazer os limites de até onde você pode ir e a partir de onde você não pode cruzar, e isso vale para os dois lados. A atividade de RIG é regulamentada em vários lugares no mundo e o Brasil na verdade é um dos poucos países que não têm essa atividade regulamentada.


5) Como a regulamentação do RIG pode contribuir para a ascensão do Brasil à OCDE?

É mais um passo na modernização da legislação brasileira. O governo brasileiro tem promovido alguns avanços na agenda de reformas, inclusive a regulamentação de RIG para isso. E a normatização da atividade de RIG é uma das recomendações da OCDE aos seus países membros, justamente seguindo em uma linha de transparência.


No mundo globalizado você precisa interagir cada vez mais com os países. Então eu acho que quanto mais a nossa legislação estiver mais adequada aos padrões internacionais, melhor para nós.


6) A atividade de RIG poderá ajudar a recuperação do Brasil após a pandemia?

O pós-pandemia vai trazer uma série de desafios para conseguir retomar um ciclo de crescimento mais forte. Esse desafio passa pela realização de reformas, como a reforma tributária. Toda vez que você tem uma discussão profunda sobre alterações na legislação, reformas, é natural que os profissionais acabem participando desse debate.


É preciso acelerar a agenda de reformas e de mudanças regulatórias no Brasil em vários sentidos.  Tem uma série de outras discussões que são importantes para aumentar o potencial de crescimento do Brasil, e nisso o profissional de RIG acaba tendo um papel fundamental para discutir e levar essa argumentação para o poder público.




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