Entrevista: Leandro Modé, Superintendente de Comunicação Corporativa e Relações Governamentais do Itaú Unibanco

1) Qual a importância do Prêmio Marco Maciel para o segmento?

São dois os motivos que tornam este prêmio muito relevante: primeiro, por ser um dos poucos reconhecimentos sobre esta atividade que é tão necessária e pouco traduzida para o grande público de forma correta e precisa. Segundo, justamente por possibilitar que a profissão seja desmistificada e possam ser mostrados os trabalhos em que os bons argumentos e o diálogo fizeram a diferença. Esta interação clara entre todas as partes envolvidas permite que os processos sejam mais transparentes, que os contrapontos sejam debatidos de forma ética e as decisões sejam mais assertivas e menos unilaterais.


2) Como foi, para você, ser agraciado com a principal premiação do setor?

É sempre muito gratificante ser reconhecido por um trabalho bem feito que reuniu tantas pessoas competentes e comprometidas. Mais uma vez, ficou claro que, quando trabalhamos com causas que acreditamos, o resultado aparece. Mais importante ainda quando o projeto impacta a vida de milhares de pessoas, como foi o nosso, em um momento tão delicado como a pandemia de covid-19.


3) O que te levou a escolher o case para concorrer? Pode contar um pouco sobre ele?

Eu diria que a escolha se impôs naturalmente pela dimensão da iniciativa em meio à gravidade da pandemia no Brasil. O “Todos Pela Saúde” foi criado em tempo recorde com o propósito de auxiliar a saúde pública por meio de doações no total de R$ 1,2 bilhão, montante que foi distribuído entre todos os estados do Brasil. A curadoria das destinações ficou sob a responsabilidade de um seleto grupo de especialistas na área da saúde, liderado por Paulo ChapChap, então diretor-geral do Hospital Sírio Libanês. Entre os integrantes estavam nomes como Drauzio Varella (médico e escritor); Sidney Klainer (presidente do Hospital Albert Einstein); Maurício Ceschin (ex-diretor-presidente da ANS); Gonzalo Vecina (fundador da Anvisa), entre outros. O “Todos pela Saúde” estabeleceu 27 gabinetes, em todos os estados e no DF, por meio dos quais atuou nos municípios brasileiros. Distribuiu mais de 15 milhões de máscaras; apoiou 619 ILPIs (Instituições de Longa Permanência para Idosos); criou cerca de 1.200 leitos hospitalares e de alojamento; adquiriu 300 cilindros de oxigênio, mais de 100 mil oxímetros e investiu em fábricas de vacinas e centros de testagem, entre diversas outras iniciativas. Agora, se tornará um instituto com objetivo de apoiar a pesquisa e a formação de recursos humanos em epidemiologia genômica. Na prática, o instituto atuará para ajudar a evitar novas crises sanitárias como a que vivemos hoje.


4) Como foi o processo de inscrição?

Não houve nenhum problema. 


5) Se você pudesse premiar uma importante conquista social em que o lobby teve papel decisivo, qual seria? Por que?

Um projeto que considero significativo foi a Reforma Trabalhista realizada em 2017. O texto aprovado flexibilizou o mercado e trouxe simplificação nas relações entre trabalhadores e empregadores. Diversos setores estiveram presentes nas negociações. Entidades sindicais, empresas, acadêmicos, representantes do judiciário, todos contribuíram com seu conhecimento técnico e expertise. Como resultado, em pouco mais de dois anos, os processos em primeira instância da Justiça do Trabalho diminuíram mais de 30%. Com a reforma, a liberdade de pactuação ganhou mais destaque, uma vez que acordos e convenções passaram a prevalecer sobre a CLT, mas sem retirar os direitos dos trabalhadores. Nesse sentido, a lei proíbe que negociações coletivas suprimam ou reduzam tais direitos, como seguro-desemprego e salário-mínimo, entre outros. Apesar da tentativa de alguns setores da sociedade de construir uma narrativa de que a reforma foi negativa para os trabalhadores, a realidade é que se tratou de uma conquista importante para o Brasil (empresas, trabalhadores, governo etc.).


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