Liderança é construída com equipe heterogênea, diz diretora do IFL e conselheira da SBF

São Paulo, maio 2021  – A Diretora do IFL-SP e Conselheira do grupo SBF (Centauro), Larissa Bonfim, afirma em entrevista como a maternidade alavancou sua carreira e declara que o segredo para boas lideranças é a construção de equipes heterogêneas e complementares.


Larissa é graduada em a administração de empresas pelo INSPER e pós-graduada pela London Business School. Em entrevista para revista Abrig, ela conta como a maternidade foi transformacional para sua carreira, permitindo “um salto quântico na leitura de comportamento, em eficiência, em facilidade em resolução de conflitos.”


Com um MBA em Finance e Private Equity, Larissa ainda é acionista e gestora na Pacipar. Na conversa, ela conta sobre a importância do equilíbrio e da representatividade de mulheres associadas do IFL-SP e como o aumento da participação feminina agrega ao Instituto.
 
1) Por que acha que o mundo corporativo, político e econômico ainda é majoritariamente dominado pelos homens?
Eu queria ter uma resposta simples para isso, mas acredito que é um problema complexo, que pode ser visto de várias formas. Um dos ângulos que é importante abordar é de mudança da mentalidade nas diferentes gerações. Quando comparamos o ambiente de quando nossos pais cresceram e as maneiras de vida cogitados para mulheres, com o que acontece com minha geração e da próxima, da minha filha, por exemplo, já vemos uma mudança muito forte.
Então, apesar de esse ambiente ser majoritariamente dominado por homens, eu vejo um crescimento enorme de lideranças femininas assumindo.
Por isso, tendo a ser otimista, eu vejo essa mudança. Entendo que existe ainda muito a ser feito, sempre teremos, mas a mudança de mentalidade demanda tempo. É uma mudança de comportamento social, de cabeça, um caminho de evolução individual. A notícia boa é que quando a mudança acontece porque indivíduos decidiram por si, porque avaliaram qual é o melhor caminho, essa mudança é perene. Vejo mulheres se sentindo cada vez mais livres para protagonizarem dentro de suas escolhas e sendo respeitadas por isso.
 
2) Você acha que para as mulheres de uma maneira geral ainda é mais difícil ter um cargo de liderança?
Infelizmente ainda é um pouco mais difícil sim. Falo isso porque é natural do ser humano ter um certo viés de confirmação. Todos acabam procurando a se relacionar com iguais. Comumente lideranças caem nesse viés de escolha, de procurar aquilo que se parece com você, seja de forma física ou comportamental. Então, como temos ainda poucas mulheres em cargos de liderança, precisamos de um esforço maior para demonstrar o nosso valor. Isso é um desafio para a mulher e qualquer outra pessoa que não seja o padrão daquela liderança.
Mas de novo, tendo a ser otimista. Percebo que os bons líderes atualmente compreendem que vivemos em um mundo cada vez mais dinâmico, e que para conseguirmos navegar, é absolutamente fundamental construirmos equipes heterogêneas e complementares. A liderança que não compreendeu isso, vai ficar para trás.
 
3) Você se tornou mãe há pouco tempo. Como é equacionar a balança de gestora e da maternidade?
Ser mãe e líder ao mesmo tempo é um desafio constante de alocação de tempo. Para nós, mulheres, por mais que aconteça como aqui em casa, de dividir bastante a responsabilidade com o pai da minha filha, a gente ainda aloca um tempo desproporcional à tarefa de cuidar. Muitas vezes por escolha própria (o meu caso) ou outras vezes por não poder contar com uma parceria. Por isso, essa balança pode gerar para nós mesmas um stress maior.
Por outro lado, eu como mãe vi que a minha liderança deu na verdade um salto quântico em pouquíssimo tempo. Eu dei um salto quântico na leitura de comportamento, em eficiência, em facilidade em resolução de conflitos. Não me restam dúvidas de que muitas mulheres passaram por essa mudança. A maternidade é transformacional.
 
4) E por que acha que isso aconteceu?
Bom, acho que nada é mais difícil do que liderar o crescimento de uma pessoa. Você se multiplica em mil. Por isso, eu percebi que nós, mães, não temos mais tempo para coisas que não tenham um propósito claro, não tenham um começo, meio e fim. Eu só lamento por não ter tido noção desse salto quântico das mães antes, ser mãe pode na verdade acabar impulsionando a carreira. Hoje, que me tornei uma, tenho a total clareza disso. Por isso, quando chega um currículo de uma mãe, essa pessoa já tem um diferencial para mim.
 
5) Você atua de forma voluntária no IFL-SP. Por que decidiu entrar no instituto?
Para mim começou como uma necessidade latente, uma fome de conhecimento. Eu tinha um interesse, lido algumas coisas sobre liberalismo, mas sentia falta de rodas de conversas que eu pudesse me aprofundar e crescer nessa frente. Sair das manchetes jornalísticas.
Eu entrei em 2018. Naquela época eu tinha uma vontade de mudar o cenário político que a gente via no Brasil. Hoje o IFL é um propósito muito maior, pois sinto que além de ser um lugar que a gente discute conceitos e ideias de forma profunda, também é um lugar que a gente tem a liberdade de
desenvolver a nossa liderança de forma prática. Para mim, o maior propósito é de ajudar a desenvolver cabeças que terão um grande impacto na sociedade.
 
6) E como ter mais mulheres com esses propósitos?
Eu acho que esse é um desafio que vem da base. Hoje, por exemplo, a gente não vê que é equilibrado a quantidade de mulheres X homens que aplicam para entrar no IFL-SP. E isso acontece por muitas razões, seja por escolhas pessoais das mulheres ou de representatividade. No entanto, vejo que aqui também já vem mudando muito. Hoje 1/3 do quadro de associados do IFL é composta por mulheres, porém esse índice vem aumentando significativamente e quem mais ganha com isso com certeza é o Instituto.



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