Mulheres em postos de liderança tornam o ambiente mais harmônico, diz CEO do Grupo VOTO

A mulher tem uma característica de criar pontos de união, harmonia e conexão que são essenciais para postos de liderança no setor público e privado. A afirmação é da cientista política e CEO do Grupo Voto, Karim Miskulin:
"Todos precisam se conscientizar que, a partir do momento que colocarmos mais mulheres nos postos de liderança, provavelmente o nível de tensão será menor. Como disse, como a habilidade da mulher é de harmonizar o ambiente e fazer com que a coisa flua com menos atrito, a política ficaria menos tensionada com uma maior participação nossa. Os ganhos positivos seriam enormes”, afirmou em entrevista para a edição digital da revista da Abrig. 


Nascida em Porto Alegre, Karim é publisher da revista VOTO e criou em 2008 o Instituto VOTO de estudos políticos, entidade sem fins lucrativos que fomenta a educação política por meio de projetos em escolas estaduais. Além disso, é fundadora do Brasil de Ideias, um dos mais importantes fóruns de interlocução entre o setor privado e público. 


Leia abaixo os principais pontos da entrevista:


1) Por que que o ambiente político e de relações governamentais ainda é tão dominado pelos homens? 
Acho que isso acontece porque grande parte das mulheres ainda têm medo da exposição que a política dá. Os homens têm mais “casco duro”, estão mais acostumados a não se abalarem tão facilmente quanto as mulheres. Os homens, por exemplo, se agridem e dois minutos depois estão tomando um chopp juntos. Ou seja, a natureza mais bélica do homem tem mais a ver com o ambiente político. A mulher, que tem uma característica mais de mobilizar, unir, criar harmonia, acaba não se adaptando tanto a essas diferentes vertentes que existem na política em qualquer lugar do mundo. 


Além disso, a conexão com a política, inevitavelmente, acaba expondo muito a vida profissional das pessoas, o que faz com que as mulheres ainda tenham mais receio. Infelizmente, a exposição negativa da política tem uma potência muito maior do que a positiva. Tudo que é político é mais intenso, mais forte. 


2) E como mudar isso? 
Todos precisam se conscientizar que, a partir do momento em que colocarmos mais mulheres nos postos de liderança, provavelmente o nível de tensão será menor. Como disse, como a habilidade da mulher é de harmonizar o ambiente e fazer com que a coisa flua com menos atrito, a política ficaria menos tensionada com uma maior participação nossa. Os ganhos positivos seriam enormes. 


3) Muitas mulheres acabam adiando o plano de ser mãe para crescerem na carreira, seja na empresarial ou na política. Você tem duas filhas. Como você conciliar esses dois papéis?
O melhor caminho para isso é sempre ser transparente com os filhos. No meu caso, por exemplo, desde muito cedo possibilitei que elas tivessem absolutamente consciência do que é a pauta política. Estimulei que estudassem quais são as vertentes ideológicas e a  história do Brasil. Tudo isso para mostrar para elas que não temos como sermos liderança de fato empoderadas, senão conhecermos o passado do nosso país. Como tenho duas meninas, sempre fiz questão de mostrar isso para elas. 
Também sempre fiz questão que elas participassem da minha vida, levando junto para onde fosse possível, contando, sentando e conversando sobre o que eu faço. Criei minhas meninas para serem protagonistas. 


4) Fale um pouco agora sobre como foi a mobilização para o evento de mulheres com o Bolsonaro.
Eu acho que o evento serviu de exemplo para mostrar que as mulheres podem muito mais. Foi uma demonstração de que quando as mulheres querem se aproximar do poder, quando elas têm o propósito de ajudar o país independentemente da ideologia política, não tem nada que nos impeça. Fiquei orgulhosa de poder abrir um caminho para algo inédito, mas que deveria ser normal, que é o Presidente da República conversar com mulheres. O barulho que o encontro fez mostrou o quão positivo ele foi e o quão importante é a mulher conseguir. Espero que, agora que eu abri o campo, muitas outras façam o mesmo. Acho que o evento serviu para mostrar que o importante é não ter medo de ousar, não ter medo da crítica e, acima de tudo, para que as mulheres tenham coragem para fazerem o que quiserem, inclusive se reunirem com o Presidente. 


Karim Miskulin é Diretora-executiva do Grupo Voto, CEO do Brasil de Ideias e cientista política



** Os artigos/entrevistas publicados são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões neles emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista da Abrig.