Nunca teremos uma democracia sólida se não discutirmos políticas públicas, diz Luiz Antônio Flecha

O membro do Conselho Superior da Abrig, Luiz Antônio Flecha de Lima, fala sobre a importância da regulamentação das atividades de RIG para a ascensão da economia e democracia no Brasil, desvencilhando a prática do lobismo.  
Com mais de 20 anos atuando como profissional de Relações Institucionais e Governamentais, Luiz Antônio é administrador de empresas formado pela FAAP, sócio-fundador da FLAG Public Affairs e da Focal 3 Comunicação. Em entrevista para revista Abrig, relata que a Associação tem feito um papel muito forte de esclarecimento na imprensa no setor das políticas para a desmistificação da atividade.


Fundador e diretor da Flecha de Lima Associados, Luiz Antônio também foi presidente da CDN Relações Institucionais. O profissional de RIG ressalta também como a regulamentação, visando a transparência, gera visibilidade internacional ao país, possibilitando seu ingresso na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).



1) O Sr. compõe o Conselho Superior da ABRIG, entidade que representa os profissionais que exercem a atividade de RIG. Qual a importância da entidade para o setor e quais os reflexos nas discussões de políticas públicas em geral?
Eu acho que a entidade é fundamental para o setor, porque primeiro ela fez um trabalho de organização muito grande. Depois, numa segunda etapa, ela está sendo fundamental justamente para a discussão da regulamentação do setor e principalmente o regramento das atividades de RIG no Brasil. Enquanto a gente não tem uma regulamentação específica aprovada pelo Congresso, a própria entidade tem buscado meios, através dos seus diversos conselhos, de regulamentar os profissionais que atuam na área que são associados à entidade. Em termos de políticas públicas, eu acho que essa discussão é fundamental para o crescimento da economia e da democracia no Brasil. A gente nunca terá uma democracia completamente sólida se não tivermos uma ampla discussão das políticas públicas entre os setores envolvidos. E aí sim falo do setor privado, do terceiro setor, dos trabalhadores, junto com o congressista e o próprio governo para que possamos gerar políticas públicas que sejam efetivas e eficazes.


2) Qual o caminho para desmistificar ainda mais a atividade de RIG, esclarecendo a sua importância para os tomadores de decisão, sociedade em geral, imprensa e empresariado?

O principal caminho é um caminho que a Abrig tem buscado. Trata-se de deixar claro a política que ela adota e que seus profissionais filiados adotam. Por isso, quando temos um código de ética da Abrig, que todos nós somos signatários perante a comissão de ética, certamente isso já é um grande passo no fortalecimento do setor. Agora é claro que muitas vezes a gente ainda vê na imprensa a questão do lobby sendo ligada à RIG. Ora, a partir do momento que a pessoa faz uma coisa errada, e ela vira um lobista, já é diretamente associado à nossa atividade. Então, a Abrig tem feito um papel muito forte de esclarecimento na imprensa no setor das políticas para que isso possa ser desmistificado. Ao longo dos meus 22 anos de atividade eu vi isso acontecendo, vai ficando mais claro para as empresas e para as pessoas que elas podem contratar atividade de RIG, sem problema nenhum. Isso se porque todos nós seguimos os nossos próprios códigos de ética, o código de ética da Abrig e o compliance de nossos clientes. Eu, por exemplo, tenho uma Consultoria em Relações Institucionais e Governamentais e além de seguir o meu próprio código de conduta também sou obrigado por questões contratuais a seguir todo compliance e código de ética dos meus clientes.


3) Qual a importância da regulamentação da atividade de RIG para a organização do setor e também para o amadurecimento da democracia no Brasil?

R: Eu acho que a regulamentação é fundamental principalmente para o amadurecimento da democracia e para deixar bem às claras a atividade, para dar mais conforto ainda à quem a exerce e principalmente também ao contratante dessa atividade. Em termos de organização eu acho que o setor já vem se organizando ao longo dos últimos anos de maneira própria e sem a regulamentação. Mas é claro que com uma regulamentação você provavelmente vai separar o joio do trigo. No sentido de que você terá os profissionais regulamentados, registrados. Então eu acho que a regulamentação vai ter um papel fundamental para o crescimento da atividade no Brasil, e espero que o Congresso retorne à esse tema que é de fundamental importância.


4) Considerando o cenário internacional e os países desenvolvidos, qual a importância da ascensão do Brasil à OCDE e como a regulamentação da atividade de RIG no Brasil impacta nesta pretensão?

A regulamentação, visando a transparência, é um dos pré-requisitos para que o Brasil possa ingressar na OCDE. Se compararmos com outros países que já têm atividade regulamentada, a inserção na regulamentação do Brasil vai ser muito importante para ter um reconhecimento maior do país lá fora e na própria OCDE. Se nós pegarmos os países que compõem a OCDE, quase todos já têm de certa forma uma regulamentação da sua atividade. 


5) Como que a atividade de RIG poderá apoiar na recuperação e desenvolvimento do Brasil no pós-pandemia?

Ela é fundamental, porque a interlocução entre o setor privado e o governo será de extrema importância para ajudarmos na retomada das atividades econômicas. Vimos um crescimento muito forte do PIB nesse primeiro trimestre, mas quando começamos a analisar, ele é basicamente sustentado pelo agronegócio, pelo setor do campo. Então, quando vemos setores que foram drasticamente impactados, como o setor de turismo ou o setor de eventos, é através dessa articulação promovida pelos profissionais de RIG que nós vamos poder gerar políticas públicas sustentáveis para que esses setores possam se recuperar e voltar a empregar. Sem falar na questão que nós temos enfrentado agora, no início da discussão da reforma tributária. A reforma tributária tem um potencial de impacto muito grande, tanto positiva como negativamente, caso seja malfeita. Então, essa articulação dos setores com a atividade da legislação e de governo serão fundamentais.


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