A Abrig conversou com a professora Clarita Costa Maia sobre a importância de compreender o cenário político como um elemento central para a tomada de decisões estratégicas. Segundo a especialista, decisões regulatórias, mudanças institucionais e disputas de poder impactam diretamente organizações e profissionais, tornando essencial o desenvolvimento de uma leitura estruturada e contínua do ambiente político.
Com foco em reduzir a insegurança na interpretação desses contextos, o curso propõe uma abordagem aplicada, combinando base conceitual com exercícios práticos e situações reais do cotidiano profissional. A ideia é que os participantes desenvolvam uma metodologia própria de análise, capaz de orientar decisões, qualificar briefings e ampliar a capacidade de atuação em ambientes de alta complexidade e incerteza
Veja a entrevista na íntegra:
P: Por que entender o cenário político faz tanta diferença na prática profissional?
O cenário político não é um pano de fundo: ele é parte ativa do ambiente em que as organizações operam. Decisões regulatórias, mudanças de governo, tensões legislativas e disputas de poder afetam diretamente contratos, licenças, investimentos e reputação. Ignorar esse contexto é como dirigir sem olhar para os lados: você pode até chegar ao destino, mas o risco de colisão é muito maior.
Na prática profissional, quem entende o cenário político consegue se posicionar melhor, antecipar riscos e identificar janelas de oportunidade que outros simplesmente não enxergam.
Não se trata de ser especialista em política partidária, mas de desenvolver uma leitura estratégica do ambiente. Isso faz diferença para advogados, gestores, comunicadores, executivos e consultores de qualquer área.
P: O que te motivou a estruturar esse curso?
R: Ao longo da minha trajetória, percebi que havia uma lacuna significativa: profissionais altamente capacitados tecnicamente, mas sem ferramentas para interpretar o ambiente político em que atuavam. Eles sentiam que algo escapava da análise deles, mas não sabiam exatamente o quê. Isso gerava insegurança nas decisões e nas interações com stakeholders institucionais. Essa percepção me motivou a estruturar um curso que fosse ao mesmo tempo acessível e robusto, capaz de oferecer uma metodologia clara para quem não tem formação específica em ciência política, mas precisa dessa leitura no dia a dia.
Queria criar algo que transformasse a análise política de um mistério em uma competência desenvolvível.
P: Quem mais pode se beneficiar além de quem atua diretamente com RIG?
R: A análise de cenários políticos é muito mais transversal do que parece. Profissionais de comunicação corporativa, compliance, sustentabilidade, recursos humanos e até de finanças lidam constantemente com variáveis políticas. Seja na elaboração de relatórios ESG, na gestão de crises reputacionais ou na avaliação de risco regulatório para novos negócios.
Além disso, lideranças do setor público, consultores independentes, jornalistas especializados e pesquisadores também têm muito a ganhar com uma metodologia estruturada de análise.
Qualquer profissional que precise tomar decisões em ambientes de incerteza institucional se beneficia diretamente desse tipo de conhecimento.
P: Por que tanta gente ainda se sente insegura ao interpretar o cenário político?
R: Grande parte dessa insegurança vem da forma como a política é apresentada: quase sempre como algo caótico, emocional e imprevisível.
A mídia tende a focar nos conflitos e nos personagens, não nos padrões e nas estruturas. Sem um método, é natural que as pessoas se sintam perdidas diante de tanto ruído. Outro fator importante é que a análise política raramente é ensinada fora dos cursos de ciências sociais. Então, mesmo profissionais experientes chegam à vida corporativa sem um vocabulário ou uma caixa de ferramentas para esse tipo de leitura. O que o curso propõe é justamente preencher essa lacuna, de forma organizada e aplicada à realidade profissional.
P: O curso é mais teórico ou prático?
R: O curso tem uma base conceitual sólida, porque sem teoria não há método e sem método, a análise vira opinião. Mas o desenho é essencialmente prático: cada conceito é trabalhado com casos reais, exercícios aplicados e situações que os participantes reconhecem do próprio cotidiano profissional.
A ideia é que, ao final, cada pessoa saia com uma metodologia que consiga aplicar imediatamente, seja para analisar um projeto de lei, mapear atores de interesse, interpretar uma crise política ou preparar um briefing estratégico. O aprendizado só se consolida quando encontra terreno concreto para pousar.
P: Qualquer pessoa pode aprender a analisar cenários políticos?
R: Sim, acredito genuinamente nisso. A análise política é uma competência, não um dom. Como qualquer habilidade, ela se desenvolve com método, prática e exposição consistente a boas referências. Não é necessário ter experiência prévia em política ou formação específica na área para começar.
O que importa é a disposição para olhar o ambiente de forma mais estruturada e a abertura para questionar as próprias interpretações.
Profissionais com perfis muito diferentes, da engenharia ao Direito, da comunicação à gestão, têm aprendido essa leitura com excelentes resultados quando têm acesso às ferramentas certas.
P: O que chama atenção nos profissionais que conseguem se antecipar aos acontecimentos?
R: O que mais me impressiona nesses profissionais é a disciplina de monitoramento. Eles não esperam a crise chegar para começar a entender o que está acontecendo: mantêm uma leitura contínua do ambiente, identificam sinais fracos e constroem narrativas antes que o cenário se cristalize. Não é intuição: é método aplicado com consistência.
Outro traço marcante é a humildade epistêmica: eles sabem que podem estar errados e constroem análises com graus de incerteza explícitos, em vez de falsas certezas. Isso os torna mais ágeis para revisar posições quando o cenário muda, o que é uma vantagem enorme em ambientes políticos voláteis.
P: Como essa análise ajuda na tomada de decisões do dia a dia?
R: A análise de cenários políticos funciona como um mapa de riscos e oportunidades institucionais. Quando você entende quem são os atores relevantes, quais são seus interesses e como o poder está distribuído em determinado momento, você consegue tomar decisões mais informadas :desde o timing de uma publicação até a estratégia de um projeto de advocacy.
No cotidiano, isso se traduz em reuniões mais qualificadas, briefings mais precisos, menor exposição a surpresas regulatórias e maior capacidade de influenciar processos decisórios. A análise política bem feita não paralisa, ela organiza a ação.
P: Qual seria o principal ganho em participar do curso?
R: O principal ganho é sair com uma metodologia própria de leitura do ambiente político — algo que o profissional poderá aplicar de forma autônoma, independente do setor ou do cargo que ocupa.
Não se trata de decorar conceitos, mas de desenvolver uma nova forma de enxergar e interpretar o que acontece ao redor.
Além disso, o curso oferece um espaço raro de troca entre profissionais de áreas diferentes, que chegam com contextos distintos mas enfrentam desafios parecidos. Essa diversidade de perspectivas enriquece muito o aprendizado e costuma gerar conexões e insights que vão muito além do conteúdo formal.
P: Em uma frase: por que vale a pena fazer esse curso?
R: Porque em um ambiente onde a política afeta tudo e a desinformação circula mais rápido do que a análise saber interpretar o cenário com método é uma vantagem competitiva real e cada vez mais rara. E porque essa competência não é um luxo para especialistas: é uma necessidade para qualquer profissional que queira agir com mais inteligência, menos reatividade e maior capacidade de influência no mundo em que vivemos.
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