Judicialização amplia demanda por atuação estratégica e inspira novo curso da Abrig

A Abrig conversou com o professor André Faustino sobre a importância de compreender o funcionamento do Poder Judiciário dentro do universo das Relações Institucionais e Governamentais (RIG), especialmente em um cenário de crescente judicialização no Brasil. Segundo o especialista, entender a dinâmica dos tribunais, os estilos de julgamento e os instrumentos jurídicos disponíveis se tornou fundamental para profissionais que desejam atuar de forma mais estratégica, antecipar riscos e fortalecer a interlocução institucional das organizações.


A partir dessa necessidade, a Associação desenvolveu o curso “RIG no Judiciário”, voltado para profissionais de RIG, jurídico, compliance e relações institucionais que desejam ampliar sua capacidade de análise de cenários e aprofundar o conhecimento sobre a atuação institucional no ambiente judicial. Com foco prático, a formação propõe debates, estudo de casos reais e troca de experiências, abordando temas como advocacy judicial, gestão de riscos e boas práticas na relação com o Judiciário.

Veja a entrevista completa:

1. O curso “RIG no Judiciário” propõe um olhar diferente sobre as relações institucionais no Brasil. Na sua visão, por que compreender o funcionamento do Judiciário se tornou indispensável para profissionais da área?

Uma sociedade que tem a cultura do litígio transforma automaticamente o Poder Judiciário em um “super poder”, pois com esse poder institucional é direto, não existem intermediários, portanto, compreender o funcionamento desse poder é fundamental nos dias de hoje.


2. Muitos profissionais de RIG ainda concentram sua atuação no Executivo e no Legislativo. Quais oportunidades estratégicas podem ser perdidas quando o Judiciário fica fora desse radar?
Como vemos nos noticiários, a atuação em tribunais superiores é um nicho muito importante e que muita gente vê apenas como oportunidade técnica, mas ela também é relacional, à medida que compreender o funcionamento dessas instâncias facilita o manejo dos instrumentos jurídicos adequados.


3. O senhor possui uma trajetória sólida na área jurídica e institucional. Quais experiências da sua carreira mais contribuíram para a construção do conteúdo deste curso?
Já atuei como agente público e hoje estou na iniciativa privada, portanto, conheço os dois lados dessa relação. Isso contribuiu para ter uma visão sistêmica do processo de construção das relações institucionais.


4. Em um cenário de crescente judicialização no Brasil, quais são os principais desafios enfrentados pelas empresas e organizações na interlocução com o Judiciário?
Aliar o conhecimento técnico com a oportunidade de emprego da medida judicial adequada. Conhecer bem o tribunal, conhecer o estilo de julgamento da turma, isso contribuiu para uma análise mais assertiva de oportunidades. Embora ainda tenhamos um cenário de baixa previsibilidade dentro do judiciário (esse é um ponto crítico), o magistrado ainda personifica as decisões, temos exemplos mil, compreender o funcionamento dessas engrenagens permite ver o processo de forma concreta por meio de análise de dados.


5. O curso foi pensado tanto para quem já atua em RIG quanto para quem deseja ingressar na área. O que os participantes podem esperar em termos de aprendizado prático?
Discussão de casos práticos, debates aliados a conteúdo técnico. Não é um curso que o professor ficará somente falando, o grande valor será na troca de experiências.


6. Existe algum erro recorrente que o senhor percebe na forma como organizações se relacionam institucionalmente com o Judiciário?
Em regra o juiz só fala no processo, mas é importante que esse tipo de relação seja construída ao longo do tempo. A postura, o conhecimento técnico e, principalmente, o domínio dos instrumentos jurídicos garantem que essa relação seja mais efetiva.


7. O ambiente jurídico está em constante transformação. Quais tendências o senhor acredita que irão impactar o trabalho de relações institucionais nos próximos anos?
Certamente o uso de ferramentas de IA para análise de cenários e riscos. Embora eu reforce que o cenário de insegurança jurídica existente ainda não permita que isso seja efetivo.


8. Para quem ainda tem dúvidas sobre a importância do tema, qual seria o principal diferencial competitivo de um profissional que entende o funcionamento do Judiciário?
Capacidade de análise de cenários e riscos. Uma visão econômica do processo.


9. O curso aborda apenas teoria ou também trabalha casos práticos e análises de cenários reais? Como será essa dinâmica com os alunos?
É um misto, teremos conteúdo técnico, mas com constante diálogo com casos práticos.


10. Que mensagem o senhor deixaria para os profissionais que desejam ampliar sua atuação estratégica e estão pensando em participar do curso “RIG no Judiciário” da Abrig?
Que o curso é uma ação de vanguarda, tema super relevante e que muitos profissionais de RIG ainda não enxergaram como oportunidade.


As inscrições ainda estão abertas, não perca: https://www.sympla.com.br/evento-online/curso-online-relacoes-institucionais-e-governamentais-no-judiciario/3397955?referrer=www.google.com&referrer=www.google.com


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