“Relações Institucionais e Governamentais em Estados e Municípios” é o novo curso da ABRIG

A atuação em Relações Institucionais e Governamentais (RIG) vai muito além de Brasília. Estados e municípios possuem dinâmicas políticas, processos decisórios, atores e particularidades próprias, que exigem dos profissionais capacidade de adaptação, planejamento, construção de relacionamentos e conhecimento sobre as diferentes realidades locais.


Para aprofundar essa atuação, a Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (ABRIG) promove o curso Relações Institucionais e Governamentais em Estados e Municípios, nos dias 21, 24, 28 e 29 de setembro, das 19h às 22h, em formato online, pelo Google Meet.


A formação será conduzida por Gustavo Cezário, Eduardo Queiroz, Deniza Gurgel, Carlos Cidade e Pablo Cesário e terá quatro módulos voltados a competências e ferramentas de RIG, jornada de relacionamento em estados e municípios, compliance e construção de cenários.

Às vésperas do início do curso, os professores Gustavo Cezário, Eduardo Queiroz, Deniza Gurgel e Carlos Cidade explicam alguns dos desafios da atuação subnacional e mostram como uma estratégia estruturada pode contribuir para uma atuação mais eficiente.


Gustavo Cezário


Quais competências são hoje indispensáveis para o profissional de Relações Institucionais e Governamentais que atua nos estados e municípios?

Uma competência fundamental é a capacidade de compreender e respeitar os fatores locais. O profissional precisa se enxergar como um ator que está naquele território, respeitando as lideranças locais e contribuindo com informações qualificadas.


Também existe uma questão importante de temporalidade. Nos estados e, sobretudo, nos municípios, as decisões muitas vezes acontecem de maneira mais rápida do que no âmbito federal. Gosto de uma comparação que surgiu durante um dos nossos debates: enquanto o município é como uma lancha, o estado é um navio e a União, um transatlântico. Isso representa muito bem as diferenças de agilidade na tomada de decisão em cada esfera.


Nesse contexto, são fundamentais competências como capacidade de previsão, construção de relações ativas e planejamento, sempre acompanhadas de compliance e de uma atuação orientada pelo interesse público.


Como o profissional de RIG pode construir uma atuação mais estratégica e menos reativa nos estados e municípios?


Apesar da velocidade da tomada de decisão e da dificuldade de prever determinados movimentos, é possível criar jornadas mais ativas e utilizar ferramentas de construção de futuro e de cenários. Esse será um aspecto central do curso.


Vamos discutir experiências práticas de instituições que constroem agendas nos estados e municípios e também abordar ferramentas de comunicação, identificação de atores e posicionamentos. A preparação é fundamental. Antes de chegar a uma reunião com uma prefeitura, por exemplo, é importante conhecer os atores, compreender o território e, sempre que possível, construir previamente relações com associações e outras organizações locais.


O foco é justamente mostrar como criar estratégias mais ativas, nas quais a agregação de valor do profissional de RIG esteja associada à preparação, ao respeito aos atores locais e a uma visão de médio e longo prazo.


O que diferencia a atuação de RIG nos estados e municípios daquela realizada no âmbito federal e por que os profissionais deveriam participar do curso?


Durante muito tempo, RIG pareceu ser uma atividade concentrada em Brasília ou nas grandes empresas e corporações. Hoje, essa atuação está cada vez mais presente também nos estados e municípios. A pandemia deixou ainda mais evidente a capacidade de decisão dos governos municipais, tanto em questões regulatórias quanto na realização de investimentos e na aquisição de bens e serviços.


Para o profissional de RIG, isso significa compreender uma realidade extremamente diversa. Estamos falando de mais de 5,5 mil municípios, e é inviável atuar nesse ambiente sem estratégia.


O curso vai justamente abordar essas diferenças e apresentar ferramentas para uma atuação mais qualificada. Vamos trabalhar com casos práticos, jornada de relacionamento, comunicação, compliance e construção de cenários. Além do conteúdo, há uma troca muito rica entre os próprios participantes. Na última edição, tivemos profissionais de diferentes regiões do Brasil, de órgãos públicos, entidades setoriais e tribunais de contas.

Essa conexão entre profissionais, somada à experiência dos professores e à aplicação prática dos conteúdos, é uma das grandes riquezas da formação.


Eduardo Queiroz


Quais são os principais desafios para transformar o acompanhamento de políticas públicas em uma atuação estratégica de RIG nos estados e municípios?


Na atuação em estados e municípios, nosso principal desafio é compreender as particularidades de cada território. A dinâmica política, os canais de decisão e até a forma de relacionamento entre poder público e sociedade variam bastante.


Por isso, uma atuação estratégica de RIG depende da presença institucional, do relacionamento contínuo, de informação qualificada e da capacidade de transformar as demandas da organização em propostas de políticas que alcancem o interesse público e da comunidade.


De que forma conhecer a dinâmica política e administrativa local pode ajudar o profissional de RIG a antecipar cenários e identificar oportunidades e riscos?


Conhecer como funciona a administração pública local permite que o profissional de RIG consiga identificar sinais e movimentos políticos antes que uma decisão esteja consolidada. Essa leitura permite antecipar tendências, perceber riscos regulatórios e também enxergar oportunidades de construção de políticas públicas.


No cooperativismo, temos visto organizações estaduais e cooperativas estruturarem agendas regionais e participarem cada vez mais das discussões sobre desenvolvimento local. Esse é um trabalho de formiguinha, que demanda tempo até a construção de relacionamentos sólidos e de confiança junto aos gestores públicos estaduais e municipais.


Por que profissionais que atuam ou desejam atuar com RIG deveriam participar deste curso?


Esse curso ajuda a desenvolver a capacidade de leitura do ambiente institucional e de construção de estratégias em relações governamentais na interlocução com estados e municípios.


Para quem já trabalha na área, é uma oportunidade de aprimorar métodos e ampliar ferramentas de atuação, bem como ampliar sua rede de relacionamento com outros profissionais da área. Além disso, o curso oferece uma visão ampla sobre as capacidades, habilidades e competências que têm sido mais valorizadas neste mercado, que está em constante expansão.


Deniza Gurgel


O que diferencia uma estratégia de relacionamento institucional bem estruturada de uma atuação baseada apenas em contatos pontuais com os tomadores de decisão?


Quando você tem uma estratégia de relacionamento institucional bem estruturada, consegue construir e ampliar sua rede de relacionamentos. Isso permite fortalecer a atuação no mercado, chegar a novos espaços e até transitar por diferentes setores, sem ficar restrito a um único ambiente de atuação.


Além disso, uma rede sólida amplia o acesso a informações e dados que podem contribuir para uma atuação de relacionamento mais estratégica.


Por que construir e manter relacionamentos institucionais sólidos é fundamental para a atuação nos estados e municípios?


Cada lugar tem uma realidade completamente diferente. O Brasil é muito diverso e plural e não conseguimos compreender todas essas realidades sem estar próximos delas.


Quanto mais conseguimos construir relacionamentos institucionais, mais conseguimos entender as sutilezas e as diferenças de cada território e, a partir disso, traçar as melhores estratégias de relacionamento e atuação nesses espaços.


Por que profissionais que atuam ou desejam atuar com RIG deveriam participar deste curso?


O curso é uma oportunidade para entender as transformações que têm acontecido nesse mercado e compreender a relevância dessa profissão e de profissionais que vêm contribuindo para transformar a dinâmica da sociedade brasileira.


Também é importante compreender como esses profissionais podem beneficiar a sociedade e contribuir para mudar uma percepção negativa que ainda existe em relação à atividade de lobby. Cabe a quem trabalha na área exercer boas práticas e, a partir disso, ajudar a sociedade a compreender a importância da atuação dos profissionais de RIG.


Carlos Cidade


Por que compreender o processo decisório é fundamental para uma atuação eficiente de RIG nos estados e municípios?


Cada Poder, esfera de governo e instância governamental tem seus processos e ritos, que certamente observam a lei, mas podem ter características próprias, decorrentes de práticas internas e costumes.


O agente de Relações Institucionais e Governamentais deve dedicar bastante tempo, atenção e zelo ao entendimento dessas características. Errar na avaliação, “bypassar” instâncias ou não observar ritos pode ser fatal para os interesses de seu representado.


Como o compliance deve estar incorporado à rotina do profissional de RIG e contribuir para uma atuação ética, transparente e segura no relacionamento com o poder público?


A observância da lei e de valores éticos e morais é imprescindível para a representação adequada de interesses junto às autoridades governamentais.


Atuar em nome de terceiros exige um encadeamento de responsabilidades muito bem definido, mesmo que seja apenas para monitoramento e prospecção, sem intervenção como representante.


A transparência é fundamental, sempre com o cuidado de não expor demasiadamente a estratégia.


Por que profissionais que atuam ou desejam atuar com RIG deveriam participar deste curso?


Conhecer um pouco mais da atuação de RIG em ambientes subnacionais, sob a visão de experiências profissionais vividas, pode contribuir para uma melhor percepção das diferenças e iluminar caminhos a serem percorridos nesse ambiente “sui generis” e diverso entre cada esfera e instância de governo.


Serviço

Curso: Relações Institucionais e Governamentais em Estados e Municípios
Datas: 21, 24, 28 e 29 de setembro
Horário: 19h às 22h
Formato: Online, ao vivo, pelo Google Meet


As inscrições estão abertas. Garanta sua vaga e aprofunde seus conhecimentos para uma atuação estratégica de RIG nos estados e municípios.


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** Os artigos/entrevistas publicados são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões neles emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista da Abrig.