Vice-presidente da Abrig, Tacyra Valois é nomeada diretora do DECOMSAÚDE da FIESP

A vice-presidente da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig) e coordenadora do Comitê de Saúde da entidade, Tacyra Valois, foi nomeada diretora do Departamento do Complexo Produtivo e Econômico da Saúde e Biotecnologia (DECOMSAÚDE), da FIESP, para mandato até dezembro de 2026.


Com atuação de caráter consultivo, a função envolve a articulação com diferentes atores do complexo produtivo da saúde, o estímulo ao diálogo técnico baseado em evidências e a contribuição para a construção de propostas voltadas ao fortalecimento da inovação, da competitividade e do ambiente de negócios no setor. A presença de Tacyra no departamento também reforça a conexão entre as agendas da saúde e das Relações Institucionais e Governamentais, promovendo maior qualificação do diálogo público-privado.


Confira abaixo a entrevista completa concedida à Abrig:


1) Como a senhora recebeu a nomeação… e o que esse convite representa?

Recebi a recondução com gratidão e senso de compromisso. O DECOMSAÚDE é um espaço onde indústria, inovação e saúde pública se encontram, e isso dialoga diretamente com minha trajetória de atuação em governança, relações institucionais e desenvolvimento setorial. Para mim, esse convite representa a oportunidade de contribuir de forma ainda mais estruturada para a construção de agendas que reforcem competitividade, sustentabilidade e valor público na saúde.


2) Quais serão, na prática, as principais atribuições do seu mandato?

Na prática, é a renovação é de um mandato de diretor com papel consultivo, envolve articulação e aproximação com atores do complexo produtivo (fármacos, dispositivos, biotecnologia, serviços e soluções digitais), promover diálogo técnico com base em evidências e estimular iniciativas que fortaleçam produção, inovação, regulação inteligente e ambiente de negócios. Também inclui participar e impulsionar espaços de debate e trabalho com foco em propostas viáveis para o país.


3) Que prioridades pretende estabelecer nos primeiros meses?

Não se aplica, as prioridades são estabelecidas pelo diretor geral e gerente executivo e discutido com os diretores.


4) Como o departamento pode contribuir para fortalecer indústria, biotecnologia e inovação?

O DECOMSAÚDE pode ser um hub de convergência: alinhar necessidades de saúde com capacidade produtiva, apoiar políticas que estimulem P&D, manufatura avançada, qualificação e atração de investimentos, e contribuir para um ambiente regulatório que incentive inovação e a garantia de segurança e qualidade. Além disso, pode facilitar parcerias público-privadas, desenvolvimento de fornecedores e estratégias para inserção competitiva do Brasil em cadeias globais de valor.


5) Como pode dialogar com o Poder Público e influenciar políticas?

Com escuta qualificada, tradução técnica e construção de propostas. O departamento contribui com subsídios, notas técnicas e agendas de diálogo com Executivo e Legislativo, defendendo uma visão de Estado que dê previsibilidade regulatória, incentive inovação e fortaleça o complexo econômico da saúde. A força está em transformar demandas setoriais em propostas consistentes, com análise de impacto e convergência entre atores.


6) Qual é o papel da FIESP nesse ambiente mais favorável ao complexo econômico da saúde?

Eu avalio que a FIESP tem um papel decisivo como articuladora institucional: reúne diferentes segmentos, cria pontes com governo, academia e sociedade e sustenta uma agenda de desenvolvimento industrial com visão de longo prazo. No campo da saúde, isso significa apoiar a construção de um ambiente que combine competitividade, inovação, sustentabilidade e acesso, com diálogo técnico e capacidade de coordenação.


7) Como sua presença no DECOMSAÚDE fortalece a participação institucional da ABRIG?

Fortalece porque conecta, de forma concreta, duas agendas complementares: o DECOMSAÚDE como espaço de estratégia setorial e industrial e a ABRIG como referência em Relações Institucionais e Governamentais e qualificação do diálogo público-privado. Essa ponte contribui para uma atuação ainda mais consistente: levar ao DECOMSAÚDE a perspectiva de governança, ética, transparência e qualidade do advocacy, e devolver à ABRIG debates e aprendizados estratégicos do complexo produtivo.


8) Como enxerga a contribuição da ABRIG no aprimoramento do diálogo?

A ABRIG contribui elevando o padrão do debate: forma profissionais, promove práticas responsáveis e incentiva atuação orientada por evidências e interesse público. Na saúde, onde regulação, inovação e financiamento são altamente sensíveis, uma comunidade qualificada de RIG ajuda a construir pontes, reduzir ruídos e aumentar a qualidade das decisões, com transparência e foco em soluções.


9) Principais desafios regulatórios e institucionais… e como atuar?

Vejo desafios em quatro frentes:

  1. Previsibilidade e segurança regulatória para inovação e produção.

  2. Tempo e qualidade de processos (análises, registros, incorporação, compras).

  3. Coordenação institucional entre diferentes órgãos e níveis de governo.

  4. Sustentabilidade: equilibrar acesso, qualidade e custos.

O DECOMSAÚDE já atua articulando agendas, apoiando propostas de melhoria regulatória, promovendo consensos setoriais e contribuindo com inteligência institucional para decisões mais ágeis e robustas.


10) Que legado espera deixar ao final do mandato?

O Conselho Diretor é composto de integrantes de todos os segmentos do ecossistema da saúde, neste sentido espero que a minha contribuição seja de ajudar para a formação de uma agenda estruturada, participando de frentes de trabalho que resultem em propostas concretas e parcerias relevantes. Também quero sempre fortalecer práticas de relações institucionais baseadas em ética, transparência, evidências e compromisso com valor público, aproximando setor produtivo e tomadores de decisão.





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